Presença no Brasil

Chegada das primeiras irmãs Carmelita, Serafina e Madre Clara em 03 de maio de 1963. Em 02 de outubro do mesmo ano chegaram ir. Elizabetta e Daniela.


Celebramos com alegria a presença do carisma das Irmãs Franciscanas de Cristo Rei em terras brasileiras.
Deus é louvado pela inspiração Divina acolhida pelas Irmãs missionárias vindas da Itália e também pelas jovens vocacionadas do Brasil que aderiram a esta proposta de vida e assumiram juntas a caminhada, fortalecendo o grupo, e hoje somos delegação “Maria Imaculada”.

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O Instituto tem sua origem em 07/07/1459 em Veneza – Itália por um grupo de terceiras Franciscanas. Estas desejavam viver juntas sob a orientação dos frades menores e a regra de inspiração franciscana dada pelo Papa Nicolau IV.

Em junho de 1961, o Papa João XXIII, lança um apelo a todas as Congregações Religiosas pedindo que se abram ao Continente Americano, especialmente ao Brasil. (Esta informação foi passada verbalmente por ir. Elizabetta Perin a qual diz ter ouvido da Madre Clara quando solicitava irmãs para a missão em terras brasileiras). Frente ao convite, o Instituto mede as suas forças e, na sua pequenez, acolhe e aceita esta nova proposta com o objetivo de: testemunhar o Reino de Cristo Jesus; servir os mais pobres e humildes; buscar novas vocações. Mde. Clara acolhe este apelo da Igreja, e prepara as irmãs para a nova missão que deverá ser entre a população pobre da América Latina. Madre Clara Dal Medico, então Superiora Geral, em 1962, entra em contato com o Bispo Dom Gregório Warmeling, da Diocese de Joinville – SC, que se encontra em Roma participando do Concilio Vaticano II. O caminho estava sendo gestado há muito tempo no coração das irmãs que, com pensamento e orações, acompanhavam o desenrolar do processo.

Joinville SC – 1963 a 1964

Lançando sementes - O semeador saiu a semear... Mc 4, 1-32

Da semente, depois de lançada, não sabemos a dimensão que toma, o tanto que poderá crescer, se expandir, produzir. Acreditamos na força que tem em si de germinar independente de nossa vontade. A força/graça está na própria semente e no terreno que a faz germinar lentamente. O semeador dorme e acorda, noite e dia, e a semente vai brotando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. O coração humano contem a graça divina, para acolher e fazer crescer o Reino de Deus.

A chegada em Joinville SC foi acompanhada de muita boa vontade.  As irmãs não tinham casa, foram hospedadas pelas irmãs Salvatorianas por aproximadamente 4 (quatro) meses. Na espera se de encontrar uma casa para morar, as duas  Irmãs (Carmelita e Serafina) permaneciam em companhia das Salvatorianas na casa que ficava próximo da igreja e participavam na mesma paróquia Sagrado Coração de Jesus. Podemos confirmar isso no documento se que segue:

“Na Crônica do mês de maio de 1963, chegaram da Itália, três Irmãs da Congregação Franciscanas de Cristo Rei, para exercer um apostolado no Brasil. A pedido do Bispo Dom Gregório Warmeling, elas foram recebidas na Creche Conde Modesto Leal da cidade de Joinville - SC,  pelas Irmãs Salvatorianas, Irmã Sigmunda  Ahrens, Irmã Evanir Brugali e Jurema Cola. Como não tinham casa para morar e a clausura era pequena, foi cedida para sua morada uma sala de aula e a sala de costura, isto até encontrarem uma casa para elas, ficaram alguns meses conosco. Depois, a convite do Bispo de Chapecó-SC, foram assumir a ASDI -Ação Social Diocesana de Chapecó-SC.  Durante o tempo que ficaram conosco as Irmãs Carmelita, Serafina, Daniela e Elizabetta demonstraram grande interesse em aprender a língua do País, bem como ambientando -se na busca de conhecimento na linha da missão: Pastoral Litúrgica, Catequese, Social e outras atividades. Demonstraram muito esforço, alegria  e entusiasmo e acompanhavam diretamente na Missão Salvatoriana com Irmã Evanir. Deram grande testemunho de Missionárias em nosso País”. (Crônicas e Atas das Irmãs Salvatorianas. Enviado por Ir. Evanir Brugali).

Após este breve período, foi-lhes cedida uma casa do “Circulo Operário” onde foram morar e se organizar por conta própria.  As atividades às quais se dedicaram foram: em primeiro lugar, visitar as famílias da periferia da cidade para conhecer a realidade, ter contato com a comunidade local, absorver a cultura do povo com o qual iriam trabalhar; em seguida, reunindo mulheres e jovens , Ir. Carmelita  foi orientando e ensinando trabalhos manuais como tricô, crochê, artesanato, etc. Ir. Serafina por ser enfermeira, atendia as pessoas na parte da saúde e dedicava-se também à catequese.

 No começo foi duro para elas se expressarem e entenderem porque ainda não tinham se familiarizado com o idioma português. Deus, porém, sempre age nos momentos decisivos: o trabalho foi se organizando pouco a pouco na catequese, e no estudo da língua português.

No dia 04 de outubro de 1963, chegaram mais duas Irmãs, Ir. Daniela Flório e Ir. Elizabetta Perin para fortalecer aquele pequeno embrião. Assim foi a primeira comunidade das Irmãs Franciscanas de Cristo Rei no Brasil. A partir dali, esta fraternidade avança na inserção e no serviço junto ao povo simples e acolhedor. Procuram cada dia mais, serem fieis á finalidade da Congregação: evangelizar, estar à serviço do povo mais simples e pobre, através das visitas às famílias da periferia da cidade orientando mães e jovens nos trabalhos manuais e na saúde e dar à Congregação e à Igreja, novas vocações.

Nestas idas e vindas, entra o ano de 1964 e novas possibilidades se apresentam. Os bispos de Joinville e Chapecó que eram amigos desde os tempos de seminário, trocam idéias sobre a situação e começam um longo processo de negociações entre os bispos Dom Gregório e Dom Wilson; a Madre Clara e as irmãs. Não tarda a se confirmar a transferência para a diocese de Chapecó. O relato que segue nos traz informações precisas do desenrolar dos fatos:

Por ocasião dos 50 anos da 1ª Missa do Bispo de Florianópolis, o Bispo de Joinville, que foi consagrado por ele, vai a Florianópolis para participar da festa e ali se encontra com o amigo Dom Wilson, Bispo de Chapecó. Naturalmente, suas conversas foram sobre as próprias dificuldades: um que tem quatro irmãs à sua disposição, preparadas para trabalhar na Ação Social e não tem como arranjar-lhes um lugar, e Dom Wilson Laus Schmidt que há tempo estava procurando irmãs para esse trabalho e não conseguia encontrá-las. É claro e evidente que para os dois foi fácil decidir: “te dou as minhas”, diz Dom Gregório. Dom Gregório volta da viagem e nos comunica a decisão. Em seguida diz: “Nós Bispos iremos para Roma, por ocasião do Concílio Vat. II, e nos encontraremos com a vossa Madre Geral. Nesse tempo que falta, duas de vocês podem ir a Chapecó, se encontrar com o Bispo de lá e se ficarem de acordo, nós depois conversaremos com a vossa superiora em Roma”.

 Entregou-nos, um pouco de dinheiro para a viagem.  Ir. Carmelita e eu viajamos para Chapecó e ficamos contentes com o encontro carinhoso e fraterno com Dom Wilson. Os Bispos partem para Roma. Ir. Carmelita juntamente com a ir. Daniela continuan reunindo as adolescentes a fim de acabar os trabalhos para o fim do ano. As Irmãs Salvatorianas juntaram todos os trabalhos realizados durante o ano, sugeriram e animaram-nos, para que como elas, nós também fizéssemos uma exposição dos trabalhos. A sala, da casa onde morávamos ficou cheia dos produtos confeccionados. Os visitantes ficaram maravilhados e entusiasmados. Enquanto isso, em Roma na casa das nossas irmãs em Torre Rossa, os dois Bispos com a Madre Clara assinavam o contrato: As quatro irmãs Franciscanas de Cristo Rei, preparadas para o trabalho de Ação Social que no momento se encontravam em Joinville passaram para Chapecó perto da residência do Exmo. Bispo Dom Wilson.  Nunca irei esquecer aquela manhã em que Dom Wilson veio para combinar uns detalhes para sair e viajar. “Tinha  uma veste branca, fulgurante de alegria: Porém percebendo nossa perplexidade, disse como Jesus aos apóstolos no meio do mar, assustados pela tempestade –“Não temais, sou Eu.  Fiquem prontas que, perto da festa dos Reis (Epifania) eu mesmo, pessoalmente, virei buscá-las; faltavam poucos dias. Na véspera da Epifania de 1965, fiel à palavra dada, à tarde chega Sua Excia o Bispo Dom Wilson. Ele mesmo nos ajudou a carregar as coisas no Jipe, de noite descansou no carro, apesar de doente, e de manhã cedo partimos. Sim! Partir novamente para trilhar novos caminhos, confiando na Providência divina a nos guiar neste novo começo.

“O Reino... é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”. Lc 13,21

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Chapecó SC, o recomeço – 1965

 O Senhor que nos conduz para uma nova história, pois é isso que procuramos há muito tempo: encontrar o caminho de identificação do Carisma nesta nova missão que a Congregação assume. Há muito anseio no coração de cada uma. Elas se sentem como os reis magos à procura de Jesus, seguindo a estrela. Os sinais presentes na caminhada as ajudam a reconhecê-lo e com Ele permanecer. Mt 2, 1-11. Chegando em Chapecó, as Irmãs Franciscanas de Maria Auxiliadora, tinham deixado pronto o jantar, calculando a nossa chegada pelas 21:00 horas, mas chegamos bem mais tarde, isto é, pelas 23:00 horas, motivo pelo qual elas tinham ido para casa e ficaram três seminaristas. Antes de descermos Ele (o bispo), bem rápido desceu do Jipe, colocou-se na frente da porta de entrada daquela que seria a nossa moradia e disse: “Vocês também como os Reis Magos, ofereceram a Jesus, o ouro do vosso amor, o incenso dos vossos corações, a mirra da mortificação e das dificuldades que inevitavelmente encontrarão aqui como em qualquer campo de trabalho e apostolado. Sejam bem- vindas em nossa Diocese!”. Esta foi para nós a Epifania, a festa dos reis Magos do ano de 1965!

Sentimos-nos como os Reis Magos de Viagem procurando Jesus. Em Chapecó, o recomeço! Com moradia e trabalho definidos, o caminho se abria com a luz de Deus a nos guiar. Logo foi organizada uma equipe de leigos para ajudar nos trabalhos servir de apoio às irmãs. As visitas e o contato com a realidade foram acontecendo velozmente, pois todos percebiam a necessidade de se desenvolver um trabalho de promoção humana e social junto às famílias que engrossavam as periferias da cidade, mais especificamente no Bairro São Pedro, mas também no entorno – setor aeroporto e Saic. A Caritas Internacional mantinha ajudas por meio da Igreja aos empobrecidos da América Latina. Este projeto já existia na Diocese de Chapecó SC. O diferencial foi que as IFCR uniram a esta ação assistencial a promoção humana. Sujar pés e mãos não era problema para elas. Punham-se a visitar as famílias, conhecer a realidade do povo. Nas casas reuniam as mulheres para aprender trabalhos manuais e noções básicas de higiene. Mais tarde, foram construindo lar escola (casas de cursos), datilografia, corte e costura, bordados, primeiros socorros, saúde preventiva, saneamento básico, alfabetização de adultos, culinária e nutrição, marcenaria. A Igreja estava num período de mudanças e reflexões profundas sobre sua presença e missão evangelizadora no mundo. Reestruturando todo seu modo de atuar, encarnando sua presença junto e no meio do povo. Surgem novas atuações e reflexões, há um forte despertar de lideranças leigas, cursos de formação e estudo na linha de atualização para por em prática as diretrizes do Concilio Vaticano II.

E os caminhos vão se abrindo – 1968 Terceiro lugar missionário brasileiro foi a cidade de Garça, no Estado de São Paulo. Desenvolver a obra apostólico-caritativa no HOSPITAL São Lucas da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia.

Em abril de 1969, as irmãs se estabeleceram em Campo Erê-SC paróquia da Diocese de Chapecó. Ai as irmãs se dedicavam à evangelização nas comunidades rurais e à educação infantil. E assim seguiram se sucessivas aberturas. Sentiam se firmarem os passos e o Senhor nos conduzia enviando novas vocações e também reforço de irmãs Italianas para somarem na Missão.

Rio Grande da Serra no Estado de SP teve sua abertura em 1973. A atividade das irmãs é, sobretudo catequética. A obra missionária se desenvolve de um jeito sócio-assistencial. Mais uma pequena comunidade de irmãs foi para a fronteira de Dionísio Cerqueira, SC, também na Diocese de Chapecó, em 16 de fevereiro de 1976. Neste mesmo ano, duas irmãs vão residir em Álvaro de Carvalho, cidade próxima de Garça SP, onde já desenvolviam trabalho na obra social e assistencial.­ 

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A Congregação vê e sente a sua presença no Brasil, como uma responsabilidade que vem do próprio carisma: “Ser na Igreja, e com a Igreja colaborar na implantação do Reino de Cristo”. Procura uma real adaptação às realidades locais, e se empenha no cultivo das vocações para que as mesmas possam, na própria cultura, expressar a espiritualidade do Instituto. Há forte empenho para conhecer a história, as estruturas sociais, os costumes dos vários grupos e de encarnar-se/inserir-se na realidade para melhor responder aos sinais dos tempos. Como podemos ver, este foi um período de expansão da Congregação, de grande importância, pois o desejo de todas era fazer crescer o Reino de Deus, através de  ações e testemunho de vida. O Senhor da messe, mandando novas operárias para sua messe fortalecia cada dia nossa missão, esperança, vigor, entusiasmo....Com a abertura da casa em Rio Grande da Serra, deu-se inicio à formação das noviças no Brasil, já que, até então, esta etapa era feita na Itália. A primeira turma foi acompanhada por Ir. Leonzia Rosara que muito contribuiu com a caminhada, ajudando firmar os passos e a fortalecer as raízes no Brasil. Colaborou na formação das novas irmãs, na pastoral paroquial e na pastoral familiar por meio de visitas, oração nas casas, formação de lideranças.

Conforme nos recomenda Santa Clara em sua 2° carta a Inês de Praga: olhar sempre o principio, o começo, a origem, os primeiros passos que foram dados e jamais perder de vista a luz da estrela a nos guiar. Aquela mesma estrela que guiou, orientou, conduziu os reis magos até Jesus naquela noite de busca e  desejo de encontrá-lo. Esta mesma luz vem nos guiando pelos caminhos que vão se traçando a cada passo que damos.

Nosso pai São Francisco nos ensina a fazer poucas coisas, mas fazer bem. Aos olhos de muitos, essa forma de trabalhar pode ser insignificante, com pouco resultado, porque é pequeno não muito visível, porém o valor do resultado não é somente material. Construímos juntos valores, relações, atitudes positivas, horizonte e valorização das pessoas como Dom. 

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“Venha o teu Reino”, “Adoremos Cristo Rei”.