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  • Irmãs Franciscanas do Cristo Rei

A dimensão missionária da Vocação Franciscana numa Igreja em saída

Sal da terra e Luz do Mundo

 

1. A Vocação batismal / Cristã “Te batizo em nome do Pai do filho e do Espírito Santo, ... para ser profeta, sacerdote e pastor”. Em Cristo uma nova Criatura! 2. Como os Irmãos devem ir pelo mundo (Regra Não bulada 16, 3-8)Não levar nada consigo (cf.Lc. 9,3), levar a saudação da PAZ para as casas, ficar na casa, comer do que tem (...); Dos que quiserem ir entre os sarracenos ou outros infiéis: Ir como ovelhas em meio a lobos. Ser prudente e simples, abstenham-se de rixas e disputas, submetendo-se a todos por causa do Senhor (cf. 1Pd2,13) e confessando serem cristãos, o outro modo é anunciarem a Palavra de Deus quando julgarem agradável ao Senhor. “Crer em Deus Trindade, criador, redentor e salvador. • E todos os irmão onde quer que estejam considerem que se entregaram ao Senhor e lhe deram direito sobre os seus corpos. Por isso, devem expor-se aos inimigos, pois o Senhor disse "Quem perder sua vida por causa de mim, salvá-la-á"(CF> Mc 8,35), Bem aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, bem aventurados quando vos odiarem... (Cf. Mt 5,11-12) • Da vida com Deus: Confessai mutuamente a vossa falta, recebam o corpo e sangue de Cristo com grande humildade (intimidade com o Senhor e o mistério que nos envolve, a vida dos sacramentos, a mística do viver) e “fazei isto em memória de mim”. • Todos os irmãos podem anunciar as palavras de exortação e louvor com a benção de Deus sempre que quiserem. Temei, Honrai, convertei-vos e fazei frutos de penitência (...). • Admoestação: Amai os vossos inimigos, fazei o bem a todos os que vos odeiam (Mt.5,44). Pois também Nosso Senhor Jesus Cristo, cujas pegadas devemos seguir (Pd.2,21) chamou de amigo o seu traidor e se entregou de livre vontade para ser crucificado. Vivamos a vida do Espírito (liberdade) e não da carne (escravidão) (Cf. Gl. 5,1-26 Ef.4,3). Outra coisa não tem a fazer senão empenhar-nos e seguir a vontade de Deus: Cuidemos para não ser a terra pedregosa ou abafada pelos espinhos a qual o Senhor se refere no evangelho. Escutar a Palavra, acolher ela em terra boa, esperar, deixar fecundar e acolher a seu tempo o broto, a arvore com suas folhas, flores e frutos. Por isso, vigiemos muito a nós mesmos, a fim de não perdermos ou desviarmos do Senhor a nossa mente e o nosso coração. Preparemos sempre uma morada permanente para Ele, Deus Pai, Filho e Espírito Santo para adorar em Espírito e verdade (Jo.4,23-24)! Todos vós sois irmãos, não vos façais chamar de pai, nem de mestre por que um só é o vosso mestre, Jesus! Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Guardemos pois as palavras, a vida , a doutrina, o Santo Evangelho de NSJC. “Assim como tu me enviastes ao mundo, assim também eu os enviei ao mundo” (...) (Jo.17,13-20) 3. O Concílio Vaticano II confere um teor todo pastoral à comunidade dos batizados, a corresponsabilidade quanto à missão e à evangelização do mundo contemporâneo. Sempre a partir do ansioso desejo de ser “necessário que todos os membros se conformem com Ele, o Cristo, até que Cristo seja formado neles” (LG 7) haja vista que, “Ele mesmo distribui continuamente os dons dos ministérios no seu corpo que é a Igreja, através dos quais (…) nos prestamos mutuamente os serviços para a salvação” (LG 7), a Igreja expressa agora o seu desejo de que todos os homens se salvem. E este é, desde suas origens, o mais intenso motivo de todas as ações pastorais e sociais, o que podemos ver declarados nos documentos pós-conciliares por meio das propostas, dos envios, reflexões quanto a métodos de evangelização, além de tantas outras exortações e recomendações a fim de que todos os batizados se tornem agentes de propagação da mensagem cristã. Francisco, em Santa Maria dos Anjos, na porciúncula expressou esta sua grande fé: “quero que todos estejam no paraíso”, o que conhecemos pela celebração do perdão de Assis. A evangelização testemunhal se adéqua às possibilidades do próprio século, caracteriza a grande “arma espiritual” que o leigo possui diante dos pecados sociais e da realidade social em que vivem. Como participantes do múnus sacerdotal de Cristo-cabeça, e alimentados pelos sacramentos – especialmente eucaristia e crisma – os batizados são “enviados em missão” no mundo em que se inserem; missão em sentido de evangelização e atuação local, antes mesmo de ser uma missão para fora de sua realidade. Sempre em vista da santificação pessoal e comunitária, a fim de se implantar a verdade do Evangelho por onde quer que vá. Deste modo, o documento firma que “todos os fiéis cristãos são, pois, convidados e obrigados a procurar a santidade e a perfeição do próprio estado” (LG 42). 4. Eclesiologia em tempos do Papa Francisco: Somos convidados a “sair de si mesmo na direção do OUTRO” para pôr-se a escuta da vós do Senhor. De fato, o Senhor nos alcançou, nos envolveu no mistério da sua redenção. Tocados pelo amor, transformados pela graça do Evangelho da alegria, não se pode guardar a experiência para si mesmo, mas irradiá-la para a comunidade dos discípulos e para o mundo inteiro. Somos convidados ao efatá, ao ABRE-TE, a silenciosa e fecunda ação do Espírito que é o fundamento da missão. Abrir-se ao filho muito amado nos ajuda a viver a prática profética da escuta, do estender a mão, do descer e esvaziar-se pelo testemunho do Reino. Uma via neste processo é o Caminho da interioridade que faz-nos mergulhar as entranhas mais profundas e deixar-se conduzir pela graça que nos habita. Neste mistério inesgotável é precioso cuidar... • Interioridade, referência de si próprio, da comunidade, das relações, da natureza, dos princípios que sustentam e regem o universo e torna-se alheio a sua raiz mais profunda - a existência. O ser humano sem interioridade, torna-se vazio, diluído, fragmentado a ponto de perder o sentido da existência, não consegue caminhar com metas seguras que lhe sustentam a esperança, não consegue atrair ou motivar, vislumbra o Foco, se encontra paralisado frente ao ideal, preso a dimensões do passado fundadas em leis, critérios, poder ou burocracias, vive na superfície, nas aparências, na auto-referencialidade. Consequências: Infelizmente, o que constatamos nestes tempos de modernidade e pós modernidade, é que o Ser Humano perdeu o caminho do coração, vive a fragmentação de um dualismo não apenas do “corpo e da alma”, mas uma realidade de “caos” em que a usurpação do humano pelo sistema no mundo neoliberal tomou em grande parte a direção e o domínio inclusive dos desejos mais profundos de humanidade. A sociedade vive na alienação e por isso, necessita consumir, aparecer, ter,(...) mergulhando assim numa solidão estéril, num medo em total insegurança e na sedução dos estímulos exteriores que tendem a esvaziar, diluir e desumanizar. O ser humano, além da dificuldade de descer e esvaziar-se do excesso de informação, poluição, perde a dimensão do coração, o contato consigo mesmo e com o mistério e acaba por viver “agido por alheios”, intoxicado, inconstante e distante da verdadeira sabedoria da vida que lhe dê sentido. • Interioridade é vivencia. Somos interioridade, pois somos inteiras/os. Somos envolvidas/os em todas as dimensões do nosso ser. Somos em coletivo, pois trazemos milhares de imagens e experiências em nosso corpo, em nosso ser. • Interioridade é silêncio fecundo e profético. È kenosis e graça. É pertença e interconectividade com todas as formas de vida e, com o cuidado do humano por excelência. É no silencio que o Ser Humano é capaz de guardar o tesouro original e saborear da doçura da vitalidade do amor. • Interioridade é Caminho. Um caminho que se intercruza e se relaciona com tantos caminhos, tantas encruzilhadas. Um caminho que necessariamente implica discernimento, escuta, redimensionamentos e decisões. O caminho para o humano na via da consagração passa pelo exercício das virtudes que apontam para a essência e contraposição dos vícios que chegam para corroer o núcleo da existência. • Interioridade é Mistério. Mistério de amor apaixonado que nos envolve, nos cria e recria, nos impulsiona e dinamiza para algo mais, para novas formas de ser e sentir, de compartilhar e se dar. Este é caminho para dentro, para todas as dimensões, para as entranhas mais profundas onde nos vem a energia vital, a força do viver. Vivenciar este caminho a Luz do Evangelho, a BOA NOVA – CRISTO JESUS consiste em identificar-se, permitindo um constante desvelar-se para uma realidade de transfiguração. Assim, tudo mais nos vem carregado de veneração e sacralidade. Pois, a profundidade do ser torna possível a verdadeira comunhão com tudo e com todos. Igreja missionária: "Sal da terra e luz do mundo" • Deixar-se conduzir pelo Espírito, pela interioridade que é um modo de ser e agir na existência no fazer-se ou permitir que a vida nos faça. Deus está fazendo uma coisa nova, faz novas todas a coisas, Ele é e será! A espiritualidade tem um componente de expansão que alarga o ser, dinamiza e eleva quando conhecido e assumido. É a partir da vivencia do Espírito que tudo tem um novo sentido, que podemos contribuir para a transformação da humanidade. • Escutar os apelos da compaixão frente às realidades gritantes da fome, da miséria humana, da não acessibilidade aos direitos humanos (...), da identificação com os outros e com o grande OUTRO - DEUS. • Missão em saída é estar na dinâmica da vida, donde “a VIDA no centro” vai orientando e conduzindo os caminhos da paz e do amor na superação da violência e maldade. Estar no caminho que direciona a profundidade, a essência, a alegria genuína, aos valores humanos e as novas relações entre criaturas no cosmo. • Missão em saída é ser fecundo para com a próximo reorientar os caminhos, reconstruir as ruínas , restaurar e unificar nossos corpos na direção da plenitude. “Francisco: Não vês que minha igreja está em ruínas. Vai Reconstrói a minha Igreja” • Missão é fazer a travessia, tanto nas sombras como nos pontos de luz. A vivencia do Espírito nos habita e nos transforma. Nos sustenta e faz crescer na fraternidade. Age como princípio dinâmico, que mobiliza nossos recursos mais nobres em todas as dimensões. Viver segundo o Espírito! • Missão é vivenciar a Oração cotidiana como caminho da interioridade que nos faz chegar ao “eu original”, o lugar santo, onde habita Deus. Este é o nível da graça, da gratuidade, da abundância, do silencio fecundo. É no coração que o criador marca ENCONTRO com seus filhos e filhas. “Deus é mais íntimo a nós do que nós mesmos” (Santo Agostinho). Na oração mergulhamos em Deus e libertamos em nós profundidades que desconhecemos. Ele é a verdadeira fonte. Quando a oração revela um autentico face a face com Deus, ela faz emergir da nossa consciência as profundidades escondidas do nosso ser, libera melhores possibilidades, destrava estagnações, possibilita novos recursos, intuições. Faz o humano mais atento na escuta dos acontecimentos e das respostas em nível evangélico. IGREJA em Saída: 1. Novas periferias existenciais O coração do humano (VC, Famílias, jovens, pessoas idosas, moradores de rua, migrantes, dependentes, refugiados,...) Espaços de liminaridade e fronteira (perseguidos, caluniados, ameaçados,...) Mundo global: às pessoas alienadas, doentes...

Ir. Ivoni Lourdes Fritzen

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